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Armazéns ameaçam espaço natural - Salinas de Alverca, a última oportunidade

O texto que segue abaixo foi retirado na sua integra de young reporters for the environment
O bloco esquerda de Alverca junta-se à luta de retomar as salinas ao seu verdadeiro dono, O POVO.
Pena que os nossos governantes locais se demitam de defender os interesses daqueles que era suposto representarem e, ao contrário disso, são os mariores alidados dos lobbies do betão instalado na cidade.

"As Salinas de Alverca não estão classificadas como “área protegida” e, por isso, estão em risco. O proprietário – a empresa Obriverca – tem planos para ali erguer armazéns, mas os ambientalistas contrapõem com a conservação da fauna e flora ali existentes.

As Salinas de Alverca, embora há muito desactivadas e até vandalizadas, mantêm a sua importância ambiental e natural nesta localidade, uma vez que as zonas húmidas são de grande interesse para a conservação da natureza e constituem um suporte da vida animal.
Constituídas por diversos tanques, na margem direita do rio Tejo, as salinas apresentam um ecossistema importante no concelho de Vila Franca de Xira, com diversos habitats: salinas, sapal e campos agrícolas. Aqui coabitam 150 espécies de diferentes aves como o pernilonga, pato-de-bico-vermelho, garça-pequena, alfaiate, flamingo, galinha-d’água, mergulhão-pequeno, entre outros. Verifica-se ainda a presença de aves migratórias (que efectuam percursos entre o norte da Europa e o norte de África), confirmando-se assim a importância das Salinas de Alverca não só a nível nacional como internacional.
No entanto, este espaço natural de elevada importância ainda não está classificado, nomeadamente como “área protegida de interesse municipal/local”, como defende o presidente do Xiradania (Movimento de Cidadania Vilafranquense), o advogado e ambientalista Fernando Neves de Carvalho.
A presidente da Junta de Freguesia de Alverca, Serafina Rodrigues, afirma que o facto desta área ser propriedade privada – da empresa Obriverca, com quem não conseguimos falar após insistentes contactos – dificulta a intervenção do poder local: “Nem nós nem a Câmara pode mexer naquilo que não è nosso, aquilo tem dono.”
Adelaide Ferreira, professora de ciências da natureza na escola Pedro Jacques de Magalhães, afirma, no entanto, que “não tem havido interesse político em preservar as salinas”. Neves de Carvalho vai mais longe e constata que “a Câmara poderia pedir um subsídio à União Europeia para a preservação das salinas, mas não o faz”.
Segundo Neves de Carvalho, também membro da ADAPA (Associação de Defesa do Ambiente e Património de Alverca), aquela zona daria “uma excelente área pedagógica visando o lazer/aprendizagem”. No entanto, estas intenções esbarram com o facto do proprietário querer lá construir armazéns.
Outro problema que se levanta à possível construção neste espaço natural tem a ver com o facto desta estar em zona de leito de cheia, logo, diminui a impermeabilização dos solos e poderá aumentar o risco de cheias em Alverca, nomeadamente na rua da Estação.
Num universo total de 60 pessoas entrevistadas num inquérito dos JRA, que disseram conhecer as salinas, praticamente todas disseram querem lá ver “um parque de lazer, onde se continuassem a preservar as espécies”. Neste inquérito, quase todos discordam do estado actual das Salinas de Alverca, antigamente uma zona frequentada pelos seus habitantes.
Esta é talvez a última oportunidade de Alverca vir a ter uma ligação natural ao rio e preservar a sua paisagem ambiental."


esta peça de jornalismo foi da autoria de :
Vanessa Bileú e Vanessa Miranda


 
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